
E a copa do mundo tem um novo campeão, no caso uma bicampeã, a Espanha! Depois de quase 40 dias de jogos, intervenção do goveno americano nas regras do jogo, perseguição a seleção iraniana, muito calor e nenhuma chuva, a Espanha chegou ao seu segundo título mundial de maneira impecável, e com o recorde de ter sofrido apenas um gol em toda competição.
Na final realizada em Nova Jersey no último domingo (19/07), a Espanha foi soberana, dominou amplamente as ações ofensivas, ditou o ritmo do jogo, e não deu a menor chance para Argentina, que só foi ameaçar o gol espanhol no segundo tempo da prorrogação. Um recital de uma equipe que nas últimas duas décadas encontrou um estilo próprio de jogo, e que ganhando ou perdendo não abre mão de suas características..
Desde o primeiro minuto da final a seleção espanhola mostrou ao que veio, permaneceu com a posse de bola, encurralou os argentinos, e finalizou mais de vinte vezes no gol adversário. Um massacre que só não definiu a partida no tempo normal por que a Espanha tem um problema crônico no ataque. Da mesma maneira que produz excelentes meio campistas, jogadores inventivos e com grande domínio de bola, os seus atacantes continuam alérgicos ao gol.
Foi essa carência ofensiva que manteve a Argentina na partida, e apesar da equipe de Scaloni ter entrado com um plano de jogo defensivo, mantendo todos os jogadores atrás da linha da bola com exceção de Leonel Messi, ninguém imaginaria uma Argentina tão inoperante ofensivamente. É claro que a Espanha contribuiu para essa falta de atitude, mas a Argentina deveria ter feito mais, assim como fez Bélgica, Portugal e França, que cruzarsam o caminho espanhol antes da final.
Despedida de Messi e domínio espanhol?
Além de juntar dois times que gostam de ter a bola nos pés, e que foram crescendo durante a competição, a final de domingo tinha o simbolismo de juntar o passado, Leonel Messi, com o futuro do futebol mundial, Lamine Yamal. Mas se alguém esperava um embate parecido com o o que aconteceu na Copa do Qatar, entre Messi e Mbappe, se frustrou redondamente. Ambos foram muito bem marcados, e apesar de um lampejo ou outro, foi a coletividade espanhola, guiada pelo capitão Rodri, considerado o craque da competição, que fez a diferença.
A vitória da Espanha acabou sendo a vitória do futebol, especialmente pelo papelão que a Argentina proporcionou após a partida, com jogadores como Paredes e Ottamendi agredindo os espanhóis, fora a cafajestada de virarem de costas para os campeões no pódio. Um fim de copa melancólico para quem conseguiu a duras penas, e a ajuda da arbitragem, superar seus adversários na última dança de Messi.
Com o segundo título mundial a Espanha mostra que ao apostar na manutenção do seu estilo de jogo, mesmo após o fiasco das últimas três copas, se coloca definitivamente como uma das principais escolas do futebol mundial. Um estilo que por vezes parece enfadonho, mas que corrói a resistência dos adversário com a paciência dos grandes campeões. Se não é tão vistoso ou efetivo ofensivamente, apresenta uma segurança que raramente tira o jogo do seu controle.
Além disso, a seleção espanhola parece adaptar o nível de concentração e intensidade de acordo com cada adversário, o que nem sempre dá certo, vide o empate contra Cabo Verde. Porém, quando acertam as finalizações proporcionam exibições históricas, como foi o caso da semi-final com a França.
A vitória na Copa do Mundo de 2026 fecha com chave de ouro um ciclo extremamente vitorioso da seleção espanhola, que já havia levantado as taças da Liga das Nações da UEFA (2022/2023), e a Eurocopa de 2024. Além dos títulos, a seleção espanhola bateu o recorde de invencibilidade de uma seleção com 38 vitórias, e a pouca idade da maioria dos seus jogadores apontam que essa história deve continuar, para desespero dos rivais.
Por tudo isso, a Espanha já se apresenta como uma das favoritas da próxima copa do mundo, que será realizada na Espanha, Portugal e Marrocos. Pelo que se viu durante o torneio, as seleções francesas e portuguesas também também despontam como postulantes ao título, por isso a tarefa de Brasil e Argentina, de historicamante desafiar a hegemonia europeia será ainda mais difícil.