E começou a Copa!

E a Copa do Mundo de 2026, a copa da América do Norte, aquela com o maior número de seleções, enfim, começou! E apesar do pessimismo inicial, parece que dentro do campo teremos uma copa bastante animada, com muitos gols, força física, e uma renovação no álbum de figurinhas de cada seleção, apesar de algumas estrelas insistirem em brilhar.

Mas é claro que não podemos comerçar a falar de copa sem mencionar os abusos que o governo de Donald Trump tem imposto aos países que não se ajoelham aos seus pés, ou que ele considera indesejável, especialmente os africanos. O tratamento dado as delegações de determinados países, os seus torcedores, e toda truculência da polícia de imigração, demonstram que os Estados Unidos estão usando o torneio para projetar a doutrina Trump, um apanhado de ações racistas e xenófobas em nome da “segurança nacional”.

Mas de todas as delegações que tiveram o desprazer de interagir com as autoridades americanas, nenhuma foi tão desrespeitada quanto a do Irã, O que vem acontecendo com ela ultrapassa qualquer sentido de civiilidade num evento que deseja “unir os povos”. Como os Estados Unidos e o Irã estavam em guerra até anteontem – lembrando que foi um conflito deflagrado por Trump e seu parceiro Netanyahu- a seleção iraniana foi proibida de permanecer nos Estados Unidos, onde disputará as três partidas da primeira fase do torneio.

Por isso, assim que terminou o jogo contra a Nova Zelândia, a delegação iraniana foi obrigada a deixar imediatamente o país, e ainda passou pelo constrangimento de ver seu melhor jogador, o atacante. Mehedo Taremi, e um membro de sua comissão técnica, retidos pela burocracia da imigração. Aliás, o atacante foi o único do jogador do time que recebeu o visto apenas para a primeira partida, ou seja, para pode contar com o Taremi nos outros jogos do grupo o Irã teve que solicitar novamente o visto para o atacante, que ainda não foi dado.

Apesar do tratamento “vip” recebido pela delegação do Irã, existe uma abordagem padrão contra todos os torcedores, especialmente latinos e africanos, com revistas intermináveis em aeroportos, estádios, e a truculência típica de uma polícia orientada a desconfiar de qualquer estrangeiro. Que o diga o árbitro da Somália, Omar Abdulkardin Artan, considerado o melhor juíz do continente africano, que foi impedido de entrar no Estados Unidos e deportado de volta para o seu país, acusado de participar de organizações crimimosas. A acusação não foi provada pelo governo americano e Omar, que foi recebido como herói ao voltar pra casa, receberá da Fifa os honorários a que teria direito.

Ora, se um país decide sediar um evento como a Copa do Mundo, ou Olimpíadas, não pode simplesmente escolher quais seleções terão o direito de entrar em seu país, o que naturalmente contraria o estatuto da Fifa. Mas, nesse caso, a poderosa Fifa prefere olhar para o outro lado, fingir que nada pode fazer, enquanto embolsa milhares de dólares. Desde a cena patética em que presenteou o presidente americano com o chamado “Troféu da Paz” da Fifa, numa clara alusão ao Nobel que Trump não ganhou, o presidente da Fila, Gianni Infantino, tem se mostrado um lacaio da pior espécie.

Primeira rodada mostra um Brasil confuso

Se do lado de fora a Copa do Mundo está cheia de controvérsias, dentro de campo as equipes tem se superado, e nessa primeira rodada algumas seleções confirmaram o seu favoritismo, caso de França, Argentina, enquanto outras foram extremamente decepcionantes, especialmente Espanha e Portugal. Aliás, o empate sem gols de Espanha e Cabo Verde apresentou ao mundo um dos heróis improváveis da copa, o goleiro Vozinha.

Com uma defesa bem postada e aguerrida, a seleção de Cabo Verde conseguiu parar a modorrenta Espanha, e Vozinha foi eleito o craque do jogo. Mas isso foi só o começo… Se antes da estreia, Vozinha, ou melhor, Josimar, cujo nome é uma homenagem ao lateral brasileiro da Copa de 1986, tinha cerca de 50 mil seguidores em suas redes sociais, depois da atuação contra Espanha, e a campanha da Cazé TV para que aos brasileiros começassem a segui-lo, ele terminou a partida com mais de 5 milhões de seguidores.

Não sei se Cabo Verde repetirá a façanha na segunda rodada, mas Vozinha já se transformou num dos destaques da copa. Outro destaque da primeira rodada que gera dúvidas é a seleção da Inglaterra. Apesar de ter feito 4×2 na Croácia, e ter um time com excelentes jogadores, ela ainda precisa de mais algumas rodadas de bom futrebol para vencer a desconfiança histórica, antes de ser considerada candidata ao título.

Com relação a temperatura, o tão temido calor ainda não deu as caras como se imaginava, e as tempestades que tiraram o sono da Fifa durante a Copa do Mundo de clubes no ano passado, também não apareceram. Porém, como ainda estamos na primeira semana, e o verão não começou, pode ser que ele faça a diferança mais para frente. Por ora, os protocolos de hidratação tem servido principalmente para os treinadores acertarem as seleções que aind anão deslancharam, como foi o caso do Brasil contra Marrocos.

Não classifiquei a estreia da seleção brasileira como decepcionante porque sinceramente não esperava muita coisa da partida. Primeiro, por causa do mais conturbado ciclo da história da seleção, que teve quatro técnicos interinos até a chegada de Ancelotti há menos de 1 ano, fora o afastamento do antigo presidênte da CBF. E segundo pela própria qualidade da seleção marroquina, semifinalista da última copa, e que possui realmente um bom time.

Além do mais, o Brasil foi a seleção que maios sofreu com as contusões antes da copa – ao todo foram cinco titulares- culpa de um calendário que empilha competições sem se preocupar com a saúde dos atletas. Os mais cínicos podem afirmar que são essas competições que pagam os altos salários dos principais jogadores das seleções nacionais, mas a verdade é que a cada ano o calendário tem ficado mais apertado e as contusões se multiplicando.

De qualquer forma, a seleção deveria ter mostrado um mínimo padrão de jogo, o primeiro tempo foi terrível, e se não fosse o talento de Vini Jr. o Brasil fatalmente teria ido para o intervalo em desvantagem. Já escrevi anteriormente que fui contra a escolha de um técnico estrangeiro para comandar a seleção brasileira, e aqui não vai nenhuma antipatia contra o nome do Ancelotti, ou qualquer outro que estivesse à frente da equipe.

Entretanto, continuo acreditando que o futebol brasileiro só sairá do buraco quando se reencontrar com sua história, a sua vocação, e isso passa não apenas pela escolha de jogadores e comissão técnica alinhados com nossa história, como também a construção de uma narrativa que conteste o discurso da vassalagem que pauta a imprensa esportiva parasitária.

É impressionante perceber a quantidade de jornalistas esportivos que torcem apaixonadamente contra o Brasil antes, durante e depois de qualquer evento. É claro que torcer contra o país não é um privilégio da imprensa esportiva, na economia, por exemplo, o que não falta são jornalistas que usam os espaços que lhe são dados para defender a cartilha neoliberal que oprime a esperança da população, ou aqueles que são verdadeiros assessores de imprensa do imperialismo em nossas praias.

Mas até mesmo esses parasitas tentam passar um verniz de racionalidade nas pautas preconizadas pelos monopólios de comunicação, e que eles defendem zelosamente. Para os coleguinhas da imprensa esportiva, que apesar de terem como objeto de estudo, análise, e ganha pão, a síntese de uma cultura tão admirada, preferem vestir a fantasia de vira-latas para corroborarem com o processo de desconstrução dos valores que nos caracterizam culturalmente, e que a originalidade da nossaa civilização sempre apresentou ao mundo.

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