Brasil avança no ritmo de Vini Jr.

Um texto de Bento Vilela

Além de carimbar a passagem para próxima fase da copa do mundo, a vitória de 3×0 sobre a Escócia mostrou que a seleção brasileira conseguiu finalmente encontrar o time da copa, depois de tantos problemas na preparação, e tantas baixas por contusão. Uma equipe que ainda precisa de entrosamento, e que por isso mesmo segue no ritmo de Vinicius Júnior que a cada rodada reafirma a sua posição como uma das maiores estrelas do futebol mundial.

Falar da qualidade técnica de um jogador que já foi escolhido o melhor do mundo parece absurdo, mas essa é uma rotina na vitoriosa carreira de Vini Jr. – único jogador brasileiro a fazer gols em duas finais de Champions League – e ídolo incontestável do Real Madri. Tem muito de clubismo nessas críticas vazias, é lógico, pois Vini Jr. nunca escondeu seu amor pelo Flamengo. Mas em muitas delas, principalmente as que vem da Europa, existe a criminosa cota de racismo em tudo que é publicado sobre o jogador, seja dentro ou fora de campo.

É claro que no Brasil isso também acontece, porém numa frequência infinitamente menor, graças a legislação que classificou o racismo como um crime que pode resultar em pena de reclusão no país. Mas na Europa, particularmente a Espanha, o racismo continua sendo um tema irrelevante, tratado como se fosse uma piada, para quem faz, é claro, e a luta de Vinicius não deixa de ser um incômodo pruma sociedade que não está preocupada com isso, ainda mais com a sombra da questão migratória, que só é bem-vinda quando fornece jogadores bons e baratos para seus clubes..

Mas voltando a falar de copa do mundo, se ainda havia alguma dúvida sobre quem seria o protagonista do Brasil na Copa do Mundo, Vini Jr. precisou de apenas um jogo para mostrar que é o cara da seleção. Quando a Brasil estava completamente perdido contra Marrocos, foi ele quem tirou um golaço da cartola e acalmou os ânimos. Na segunda partida, apesar da fragilidadee do Haiti, ele participou do primeiro gol, deu o passe para o segundo gol de Matheus Cunha, e ainda fez o terceiro no seu melhor estilo, atacando os espaços em velocidade.

Mas a prova definitiva veio no jogo contra Escócia, onde teve uma atuação de gala. Além de fazer dois gols, seriam três, mas o juíz e o VAR fizeram questão de lhe roubar um, Vinicius mostrou uma forma exuberante, participando das principais jogadas de ataque, e infernizando a defesa escocesa. Um recital na qual o craque brasileiro em nenhum momento deixou de buscar a vitória.

No final, o Brasil ainda marcou mais um gol, com Matheus Cunha, o terceiro dele na copa, demonstrando que apesar do natural protagonismo de Vinicius Júnior, outros jogadores precisam assumir a responsabilidade nessa trajetória pelo exa-campeonato. E Matheus Cunha vem cumprindo a risca o papel de ajudar o meio de campo quando a seleção é atacada, e se projetando quando o time tem a bola.

Além de Matheus Cunha, o único além de Vini Jr, a fazer gol na Copa, a seleção acompanha o surgimento de promessas como Rayan, 19 anos, cria do Vasco, que mostrou personalidade, força física, e leitura tática para substituir Raphinha, uma das estrelas do time. Além do jovem atacante o trio de meio de campo formado por Casemiro, Bruno Guimarãses e Lucas Paquetá começa a dar sinais que pode ditar o ritmo do time, e a defesa também começa a passar um pouco mais de segurança.

O próximo adversário do Brasil será o Japão, uma seleção que cresceu muito nos múltimos anos, possui jogadores de qualidade e deve ser respeitada. Uma seleção que venceu Espanha e Alemanha na última copa, mas que caiu nas oitavas para Croácia. Talvez, se tivesse seguido um pouco mais, a sorte do Brasil seria outra no Qatar, mas essa história já foi contada. Nessa segunda-feira, apesar do favoritismo histórico, o jogo será difícil, nervoso, e precisaremos ainda mais do nosso maior jogador para mantermos o compasso.

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