Flamengo bate Cruzeiro no melhor estilo Felipe Luís.

Um texto de Bento Vilela

E o Clube de Regatas do Flamengo conseguiu superar o Cruzeiro nas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Considerado o embate mais difícil dessa fase da competição, as duas equipes não decepcionaram e proporcionaram dois grandes jogos. Mas apesar do esforço cruzeirense, ficou nítido que a qualidade do elenco rubro-negro, e o velho esquema de jogo que o novo treinador gostaria de esquecer, foram fundamentais para classificação do time.

Até o confronto contra o Cruzeiro pela libertadores, o Flamengo vinha passando por um período de muitas dúvidas e contestações. Mesmo tendo ficado quase dois meses treinando o time voltou da parada da copa abaixo das expectativas, apresentando um futebol previsível, sem inspíração, e principalmente sem as características que fizeram a história do clube.

E bastou a ameaça da eliminação rondar a Gávea para que os ventos mudassem de direção, os jogadores foram ouvidos e uma estranha mudança aconteceu. A receita todos conheciam de cor, mas o problema é que o cozinheiro contratado queria inventar um prato novo, e no caso de Leonardo Jardim seria a implementação de um estilo de jogo reativo, de transição, que oferece a bola ao adversário, algo que os rubro-negros odeiam, ao invés de privilegiar o domínio da narrativa do jogo.

Se tem uma coisa que atravessa a história do Clube de Regatas do Flamengo, e nos últimos anos ficou ainda mais evidente com a bonança financeira, é a ideia de ter um time que seja sempre o protagonista de sua história. Uma equipe que proponha o jogo, que procura sufocar seus adversários, sem esquecer a nota artística, como diria Jesus.

Ou seja, a manutenção do histórico esquema que fez a glória do clube, e não a mentalidade tacanha de time pequeno, que fica esperando o adversário para jogar “em transição”. Ao invés de manter esse esquema de jogo inútil, a realidade se impôs, a torcida reclamou, e o time voltou a vencer com o estilo que o levou aos principais títulos do ano passado.

No início do ano, o presidente do Flamengo e seu fiel escudeiro português protagonizaram uma das atitudes mais bizarras dos últimos tempos, que foi a demissão de um dos maiores treinadores de sua história porque não conseguiu vencer dois torneiozinhos de verão, duas porcarias que ninguém lembra que existe, mas que serviu de pretexto para a dupla dinâmica colocar em prática sua estupidez.

A verdade é que tanto Bap, o presidente, quanto Boto, o escudeiro, jamais engoliram o fato do técnico supercampeão, Felipe Luís, que ainda por cima é um ídolo histórico do clube, tivesse sido uma ideia da direção anterior. Ou seja, arrogância, inveja e burrice formaram o pano de fundo de uma decisão tão idiota quanto mas manifestações dos youtubers que se dizem do clube, mas que vivem apenas em busca de cliques que paguem o papel higiênico que usam para limpar a boca.

O Flamengo que entrou em campo nas oitavas de finais da Copa Libertadores da América seguiu o roteiro que lhe deu todos os títulos possíveis do ano passado, faltou apenas o Mundial, e que consegrou Felipe Luís como um dos princiáis treinadores de sua geração. Isso não quer dizer que ele seja o maior treinador do mundo, ou que não pode receber críticas, a questão não é essa.

Durante a campanha da libertadores o Flamengo muitas vezes ficou aquém das expectativas, porém ele conseguiu atravessar os momentos de turbulência e levantou os principais títulos da temporada. Então, não é preciso ser muito inteligente para perceber que seria muito mais fácil para um treinador que já estava acostumado com o time, que havia lapidado sua forma de jogar, superasse o momento de instabilidade, do que alguém que chegaria com desejo de mudança.

Se o Flamengo será pentacampeão da Libertadores da América ninguém pode dizer, mas que as partidas contra o Cruzeiro demonstraram que quando o time está em sintonia com a torcida, e principalmente com a sua própria história, fica muito mais próximo das vitórias.

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