Quase uma Copa do Brasil

Um texto de Bento Vilela

E não é que a tão falada e discutida hegemonia do futebol brasileiro na Copa Libertadores da América se confirmou mais uma vez. Das quatro equipes que passaram para as semi-finais três são brasileiras, Flamengo, Palmeiras e Fluminense, e apenas um argentino, o Estudiantes de la Plata, que se clasificou vencendo outro time brasileiro, o Corinthians. Ou seja, quase que a libertadores vira uma Copa do Brasil.

Mas isso não vem de agora, nos últimos sete anos todas as edições da libertadores foram vencidas por times brasileiros, o Flamengo por três vezes (2019/2022/2025), o Palmeiras duas (2020/2021), além de Fluminense (2023) e Botafogo (2024), e somente em duas oportunidades, 2019 e 2023, as finais não foram realizadas entre times do Brasil. Isso demonstra não apenas a força do futebol brasileiro, mas também a decadência esportiva de equipes que fizeram a glória do futebol sulamericano.

Atualmente é praticamente impossível que um time uruguaio, colombiano ou Paraguaio possa ser campeão da libertadores, e nem mesmo os argentinos, que historicamente dominavamo torneio, estão conseguindo competir com as equipes brasileiras. O River Plate, por exemplo, nem se classificou para a libertadores deste ano, e o Boca caiu na fase de grupos e foi disputar a Sulamericana.

Aliás, a segunda divisão dos torneios sulamericanos, como os brasileiros chamam a copa sulamericana, parece ser o único único torneio continental em que existe alguma disputa, já que os times brasileiros não costumam colocá-la entre suas prioridades, como são o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, por isso muitas vezes nem escalam os seus titulares.

É claro que o poder econômico contribui para esse abismo, especialmente em relação as equipes chilenas, paraguaias, equatorianas e colombianas, mas Boca e River gastam tanto quanto os principais clubes brasileiros e mesmo assim não conseguem competir. Isso ocorre principalmente porque gastam mal, vendem jovens promessas e compram veteranos em claro declínio na carreira.

E não é que os clubes brasileiros também não vendam suas promesssas, porém vendem melhor e geralmente repõem essas saídas com jogadores brasileiros que jogam em clubes do segundo escalão do futebol europeu, pois os salários pagos no Brasil são até mais vantajosos, ou com os principais destaques dos próprios clubes sulamericanos. E essa certamente é a grande diferença, enquanto os argentinos estão vendendo o almoço para pagar o jantar, alguns times no Brasil conseguem escolher o cardápio.

Brasileiros passam com sufoco

A classificação do Flamengo teve dois momentos distintos, o primeiro foi a excelente vitória por 2×0 contra o bom time do Independiente Del Valle, na altitude de Quito, e o segundo o péssimo jogo de volta no Maracanã, onde conseguiu manter um suado empate de 1×1 que o colocou na semi-final. Qual o Flamengo que se apresentará na próxima fase ninguém sabe, mas para enfrentar a experiente equipe do Estudiantes, o Flamengo não poderá cometer os mesmos erros do jogo de volta.

O Fluminense também havia vencido o Platense da Argentina por 2×0 no primeiro jogo, só que no Maracanã, e no jogo de volta, em Buenos Aires, viu o time argentino fazer o mesmo placar e encaminhar a decisão para os pênaltis, o que só não ocorreu graças ao gol do uruguaio Canóbio. Mesmo assim foi outra partida difícil, e que ainda terminou com a velha cafajestada argentina ao final do jogo agredindo os torcedores tricolores nas arquibancadas, com a benevolência da polícia de Milei.

Mas a classificação mais dramática foi a do Palmeiras, que assim como o Flamengo teve a altitude de Quito como principal adversário. Mesmo não sendo a LDU de outras temporadas, o jogo foi bastante movimentado, e apesar de ter ficado à frente do placar até o final do jogo, o Palmeiras não conseguiu segurar o resultado. Como havia vencido pelo magro placar de 1×0 em São Paulo, a derrota por 3×2 em Quito levou o jogo para os pênaltis, e a estrela do goleiro Carlos Miguel brilhou, pegando os dois pênaltis que classificaram a equipe para mais uma semi-final.

O único clube brasileiro que destoou foi o Corinthians, que conseguiu perder para o Estudiantes em casa após ter conseguido um excelente empate na primeira partida na Argentina. Não classifico essa eliminação como uma tragédia, pois a equipe de Fernando Diniz não vem jogando bem, e a péssima campanha no brasileiro é uma prova disso, mas a ausência de Yuri Alberto, e o erro de Memphis Depay na hora do pênalti foram fundamentais para eliminação do Corinthians. E quando se enfrenta um adversário perigoso, tradicional, que carrega nos ombros a vaidade argentinas, isso é fatal.

Apesar da presença do Estudiantes, se der a lógica teremos mais uma final brasileira na libertadores, o que colocaria o Brasil como o país com mais títulos na competição, atualmente Brasil e Argentina possuem 25 títulos cada, o que será mais um tempero nas disputas. Resta saber se as equipes do país conseguirão fazer o dever de casa, e chegarão em Montevidéu, palco da grande final em novembro, em condições de levantar mais uma taça.

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